Síndrome do Gato Paraquedista

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Gatos são curiosos por natureza. E muitas vezes não medem consequências… e caem! Estudos e pesquisas classificaram padrões entre quedas e lesões, na chamada Síndrome do Gato Paraquedista. É um tema fascinante, pois a conclusão de pesquisas científicas são muito curiosas.

A primeira coisa é saber que o mito “do gato suicida” não procede. Gatos não ‘decidem’ se jogar. Eles são curiosos e caçadores por natureza e este instinto, ao caçar um passarinho ou um inseto, podem escorregar ou se desequilibrar e cair. Gatos mais novos, principalmente, ainda não desenvolveram o senso de perigo.

Portanto, a Síndrome do Gato Paraquedista (ou High-rise Syndrome, ‘Síndrome da Queda de Grandes Alturas’) é caracterizada por um conjunto de injúrias físicas acidentais, sofridas por gatos que caem de janelas ou sacadas de prédios e casas, sendo a altura mínima da queda equivalente a dois andares (cada andar corresponde em média a 3,7 metros).

Vários estudos tem sido realizados desde 1976, quando foi publicado o primeiro relato de trauma por queda. Em 1987, uma pesquisa realizada pelo hospital Animal Medical Center, em Nova York (com 132 gatos atendidos em cinco meses, e que caíram de alturas entre o 2º e o 32º andares) comprovou que um grupo de lesões se repetia com frequência – caracterizando, assim, uma síndrome.

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Uma das conclusões da pesquisa é que o tipo de lesões depende da altura da queda: do 2º ao 7º andares, são mais graves; após esta altura, ao contrário do que se possa imaginar, a severidade das injúrias não aumenta, e a incidência de fraturas e de mortalidade diminuem!

Isso se deve à incrível habilidade dos gatos ao cair.

 

O QUE CARACTERIZA A SÍNDROME

O conjunto de lesões características da Síndrome incluiu, inicialmente, epistaxe (hemorragia ou sangramento pelo nariz e/ou boca), fratura de palato duro e pneumotórax (acúmulo de ar entre o pulmão e a parede torácica).

Outras lesões concomitantes também podem ser observadas:

  • Trauma torácico (contusão pulmonar e pneumotórax)
  • Trauma facial
  • Fratura de canino
  • Fratura de sínfise mandibular
  • Luxação de mandíbula
  • Fraturas ósseas (fêmur, radio, ulna, tíbia, carpo)
  • Fratura do colo do fêmur em gatos jovens
  • Contusão medula espinhal
  • Hipotermia
  • Choque
  • Luxações traumáticas.

 

ENTENDA A QUEDA

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A causa das lesões é a desaceleração súbita do corpo em queda livre ao encontrar resistência do chão (ou outro objeto estático), resultando em dissipação de energia cinética sobre o corpo (proporcional ao peso do gato e à velocidade da queda).

Portanto, a conclusão é que quanto maior a altura, mais graves serão as lesões, certo? Errado! Isso só vale se o gatinho cair já inconsciente.

Se estiver consciente e com os reflexos intactos, ele aplica correções posturais durante a queda, o que resulta em desaceleração e aumento da área de distribuição da força no choque ao solo.

 

O ‘VÔO DE PARAQUEDAS’

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A forma como os gatos fazem a correção postural é impressionante, segue uma ordem e varia conforme a altura da queda:

Em quedas do 2ª ao 6ª andar:

Ele corrige a postura corporal retomando, no ar, a posição com os quatro membros voltados para baixo. Normalmente mantém as extremidades rígidas. Isso gera uma área menor e desigual de distribuição da força de impacto. Neste caso, as injúrias mais comuns são as fraturas de membros.

Em quedas a partir do 7º andar:

Ao atingir a velocidade máxima de queda (90 km/h), primeiro ele rotaciona a cabeça, baseado nas mensagens visuais e vindas do ouvido interno.

Depois, a coluna gira e os membros pélvicos se alinham, ao mesmo tempo em que arqueia a coluna para reduzir a força do impacto.

Ele então orienta os membros horizontalmente, com uma postura menos rígida. Progressivamente afasta os membros do corpo, adotando a postura de um paraquedas (daí o nome da Síndrome).

Nesta posição, o atrito com o ar é maximizado e a aceleração gravitacional é, em parte, minimizada pela resistência.

O resultado final é desaceleração, distribuindo a força do impacto em uma maior área corporal.

Atenção: ao contrário do que muitos pensam, o gato não cai “sempre de pé”. Ele expõe simultaneamente o tórax, abdome, face medial dos quatro membros e superfície ventral do pescoço e cabeça.

As consequências: lesões em gatos que caem de andares mais altos tendem a ser mais difusas e menos evidentes que as múltiplas fraturas (às vezes expostas), em membros de gatos que caem de andares mais baixos.

Não raro as lesões são também menos graves, porque a energia de impacto se distribui sobre uma maior área corporal.

No entanto, como o tórax recebe grande parte do impacto inicial, lesões pulmonares (contusões e/ou hemorragias), pneumotórax e hemotórax são frequentes e, se não adequadamente tratados, aumentam a possibilidade de ser fatal.

QUEM É MAIS SUSCETÍVEL?

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  • Gatos que vivem em apartamento ou casas com mais de dois andares.
  • Gatos mais novinhos (com menos de 3 anos), pela inexperiência.
  • Gatos jovens não castrados, pelo impulso sexual.

 

OS PRIMEIROS SOCORROS

Seja de qual altura for a queda, é imprescindível leva-lo ao veterinário com urgência!

É muito importante manipular o gatinho com muito cuidado e bem devagar, para não agravar lesões não aparentes. Pegue-o delicadamente, procurando movimenta-lo o menos possível. Coloque-o em uma superfície plana (ou a caixa de transporte), com uma manta sobre ele.

E atenção: além dos traumas físicos, devido ao estresse da queda os gatos têm tendência à hipotermia severa no choque.

 

O TRATAMENTO

A síndrome da queda de grande altura é sempre tratada como emergência grave.

São necessários vários exames clínicos e de imagem, para verificação dos sistemas respiratório, cardiovascular, neurológico e renal. Fluidoterapia e tratamento para o choque geralmente são necessários. E então serão tomadas as devidas providências em relação aos traumatismos.

 

E COMO PREVENIR?

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Telas em todas as janelas (inclusive basculantes) e varandas de apartamentos são imprescindíveis. As telas devem ter espaços menores do que as redes de proteção para crianças (espaço maior do que 7cm permite a passagem do gato jovem).

A castração diminui a necessidade de fugir para acasalar ou caçar, amenizando o risco de uma queda acidental.

 

PESQUISA REALIZADA NA GATOS&GATOS

Durante seu período de trabalho na Gatos&Gatos, a médica veterinária Margarete Weinschütz Gheren, analisou 43 casos de quedas atendidos na clínica, e escreveu, como tese de mestrado na UFRRJ, o primeiro estudo retrospectivo sobre a Síndrome realizado em uma clínica exclusiva para gatos no município do Rio de Janeiro. O estudo foi realizado entre janeiro de 2010 e dezembro de 2012.

O assunto é tão interessante que as médicas veterinárias Heloisa Justen, Katia Barão Corgozinho, Simone Carvalho dos Santos Cunha (além da própria Margarete Weinschütz Gheren) assinaram um capítulo sobre a Síndrome do Gato Paraquedista para o livro Emergências em Medicina de Felinos’, da veterinária Raquel Calixto, que acabou de ser lançado. A Síndrome do Gato Paraquedista também tem sido tema de diversas palestras da dra Heloisa Justen nos últimos anos.

 

CONCLUSÕES DO ESTUDO

O estudo foi realizado com 43 gatos que tiveram quedas entre o 2º e o 12º andares: 35 pacientes até o 6º andar e 8 casos acima do 7º andar. Algumas conclusões:

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