Gatos e bebês: tudo o que você precisa saber!

De repente vem a boa notícia: um bebê está a caminho!!! É só felicidade! Mas talvez um dos membros da família possa se ressentir um pouco com isso… Afinal, o gatinho já é o “bebê da casa”, tem toda atenção e todo mimo. E terá que dividir esta atenção com o “irmão mais novo”. Além disso, muitas mamães de primeira viagem ainda têm dúvidas: “ter um gato em caso pode ser um perigo para meu bebê?”. No texto de hoje vamos tirar todas elas! Da gravidez ao convívio harmonioso e saudável entre seu gato e seu bebê – passando pela “preparação” de seu gatinho (ele também é da família!) para a novidade.

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Antes de mais nada, sempre é bom lembrar: animais não são objetos, que podem, por este tipo de medo, ser descartados… Não existe: “ou ele ou meu bebê”. Tomando alguns pequenos cuidados, gatos não oferecem risco à saúde de bebês e crianças. Isso é mito.

A primeira coisa é que seu gato deve ser saudável. E para isso não é necessário a chegada de um bebê! Esteja com todas as vacinas em dia, faça check-ups periódicos, tenha certeza de que gatinho está com a saúde em dia. E relaxe.

DURANTE A GRAVIDEZ

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O maior medo de grávidas é a Toxoplasmose, uma infecção parasitária encontrada nas fezes de animais contaminados. Gatos podem ter Toxoplasmose – e ter o parasita nas fezes. Mas a transmissão não é assim tão fácil:

Em primeiro lugar, para que haja transmissão para humanos através das fezes dos gatos, estas devem estar há pelo menos cinco dias em contato com o ar e serem ingeridas. Se as fezes, na caixa sanitária, são retiradas duas vezes por dia (como deve ser!), o risco de transmissão é muito minimizado.

O que é a toxoplasmose?

Os felinos adquirem os oocistos pela ingestão de pássaros, roedores e carne crua. Geralmente não sofrem de toxoplasmose clínica e só eliminam oocistos somente por uma semana em todas as suas vidas. Ainda mais se esse gato vive desde pequeno em apartamento e só come alimentos industrializados para gatos.

No entanto, sabemos que o gato é o hospedeiro definitivo e devemos esclarecer a população, de um modo geral, sobre os cuidados ao manipular suas fezes, como realizar a limpeza da caixa de areia diariamente, realizando a higienização das mãos em seguida ou aconselhar a usar luvas. As pessoas imunodeprimidas, imussuprimidas e as gestantes não devem fazê-lo.

Outras medidas preventivas que devemos enfatizar são:

  • A necessidade de cozinhar e lavar bem os alimentos antes de ingeri-los e não ingerir água de origem desconhecida e sem estar fervida, nem carne crua ou mal cozida.
  • Alimentar os gatos com comida enlatada, ração, água fervida ou filtrada. Nunca alimentá-los com carne crua ou mal passada.
  • Não permitir que eles cacem animais também reduz o risco.
  • Contato com fezes no jardim: se o gato tem costume de fazer o nº 2 entre as plantas. A grávida só deve cuidar do jardim usando luvas de jardinagem e, logo após, higienizar bem as mãos. Melhor ainda: que tal combinar com o pai do bebê que, durante a gravidez, ele limpe a caixa sanitária e cuide do jardim? Assim a futura mamãe não apenas elimina de vez o medo como também divide essa responsabilidade com o companheiro!

PREPARANDO O GATO PARA A CHEGADA DO BEBÊ

Gatos não são muito dados a mudanças. Imagine o que ele vai sentir quando toda a rotina for alterada? Ou a atenção e o carinho tiverem de ser divididos entre ele e aquele novo “serzinho”?

Algumas atitudes podem ir preparando o gatinho para a mudança:

  • Ao ir montando o quarto do bebê ao longo da gravidez, deixe que o gatinho esteja presente para participar do processo e investigar o cômodo. Mas não o deixe tão “à vontade” em locais como o trocador, por exemplo.
  • Um mês antes de o bebê chegar, coloque sobre o trocador uma folha de papel ou papelão e cubra com fita adesiva dupla face. Os gatos não gostam de superfícies pegajosas e se por acaso ele subir ali, passará a evitar.
  • Mas deixe que ele se esfregue na base dos móveis: ele está marcando o lugar como seu território.
  • Coloque para ele ouvir sons de bebês (dá para baixar na Internet): choro, gritos, murmúrios, risadinhas.
  • Passe nas mãos a loção de bebês que você irá usar sempre que for brincar com o gatinho – ele já vai fazer uma associação positiva entre um bom momento e o futuro cheiro do bebê.
  • Outra associação positiva durante a gravidez é acariciar o gato e depois a barriga. Ou até mesmo deixá-lo deitar sobre sua barriga, enquanto o acaricia.
  • Se você vai manter o quarto do bebê com a porta trancada quando ele chegar, faça isso um pouco antes – para que o gatinho não associe a proibição de entrada à chegada do neném.
  • É claro que quando o bebê chegar, toda atenção estará voltada para ele. Para que não haja uma mudança abrupta na relação entre vocês, diminua um pouco, e gradativamente, hábitos como estar com ele no colo o tempo todo.

A intenção é apenas fazer com que ele não se assuste se for “deixado de lado” por conta do bebê. Mas nunca deixe de dar carinho, amor e atenção ao seu gatinho!

Ele vai se acostumando naturalmente com a nova rotina da casa. O importante é incluí-lo nesta rotina. Mesmo que seja difícil no início, não abandone seu gatinho! Reserve momentos apenas para vocês, com carinhos e brincadeiras.

Nunca o repreenda caso ele tenha alguma atitude negativa em relação ao bebê. A intenção não é promover medo e sim educação sobre como lidar com o novo membro da família.

APRESENTANDO OS DOIS

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Gatos são curiosos! Ele vai querer “investigar” quem é aquela nova pessoa! E fará isso agindo com dúvida ou medo. Por isso:

  • Não isole o gatinho em um cômodo por medo que ele tenha alguma reação negativa. Ao contrário: deixe que ele se aproxime do bebê no seu colo, olhe de perto, até o cheire – com sua supervisão extrema.
  • Enquanto isso, faça carinho nele, para que ele também se sinta amado como o bebê.
  • É preciso estar permanentemente atenta a estes primeiros momentos! Se o gatinho quiser tocar o bebê, e você confiar nele, deixe. Se a personalidade do gato for instável, afaste-o com suavidade, pegando no colo e o acariciando. Mas nunca o afugente, grite para que saia ou dê qualquer punição.
  • Se ele se mantiver ressabiado e à distância é porque está com medo. Não force a aproximação. Cedo ou tarde ele vai se chegando.
  • Deixe estrategicamente uma peça usada pelo bebê (roupa, um cobertorzinho ou uma manta) em algum local bem tranquilo da casa, para que o gato a cheire e se familiarize. Quem sabe ele até dorme sobre ela! Depois não a utilize mais para o bebê.
  • Enquanto ele está investigando as roupas, o acaricie, fale delicadamente com ele, ofereça uma guloseima. Mais uma associação entre o cheirinho do bebê e coisas boas.
  • Deixe que o gatinho esteja ao seu lado quando amamentar. Quanto mais ele participar, melhor.

Um cuidado muito importante: se for tirar uma soneca com o bebê em sua cama, não deixe que o gatinho esteja no quarto. Ele pode, enquanto você dorme, se aconchegar ao bebê e isso pode dificultar sua respiração, já que recém-nascidos ainda não conseguem virar o corpinho ou mesmo a cabeça. A mesma coisa vale para quando o recém-nascido (ou o bebê novinho) estiver dormindo sozinho no berço.

A SAÚDE DO BEBÊ

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Gatos podem ter algumas doenças zoonóticas, ou seja, que são transmitidas aos humanos. Por isso, a recomendação básica é levá-lo ao veterinário a cada seis meses para um check-up – com ou sem bebês em casa!

Além disso ele deve estar com todas as vacinas em dia, vermifugações e controle de parasitas (como pulgas) com medicamentos tópicos. Um gato saudável não oferece nenhum perigo de transmitir doenças a bebês e crianças!

Alguns cuidados com seu bebê:

  • Não deixe o bebê perto da caixa sanitária. Ele pode querer brincar lá dentro.
  • Bebês maiorzinhos colocam tudo na boca! E isso pode incluir… fezes do gato! Tenha o máximo de cuidado quanto a isso, tanto na caixa sanitária como no jardim.
  • Cuidado com mordidas e arranhões, mesmo que sejam fruto de brincadeira entre o gatinho e o bebê. Além de machucar, há risco de infecção, principalmente pela bactéria Bartonella henselae, que pode causar uma afecção conhecida como “Doença da arranhadura do gato”. A maioria dos casos é subclínica. Quando há sintomas pode ocorrer febre, lesões cutâneas no local da infecção e inflamação do linfonodo regional. Desinfete muito bem o local caso isso aconteça. E se houver algum sinal de dor, febre ou infecção leve o bebê ao médico imediatamente. Mas uma maneira muito simples de não passar por isso é manter as unhas do gatinho sempre aparadas!
  • Alguns bebês e crianças pequenas podem ser alérgicas. Mas não se deve tirar a conclusão precipitada que isso tenha a ver com pelo de gato. Deve-se fazer testes para determinar qual a causa da alergia. A boa notícia é que bebês e crianças que convivem com gatos desenvolvem mais imunidade, e menor tendência a ter alergias!

UMA CONVIVÊNCIA HARMONIOSA E SAUDÁVEL

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Com o bebê maiorzinho, eles vão começar a interagir mais. Por isso, até que você fique plenamente confiante na relação dos dois, sempre que estiverem juntos fique por perto! Conhecer seu gatinho é fundamental. Por sua linguagem corporal ou comportamento, você saberá quando ele está de “mau humor” e deve evitar sua aproximação com o bebê. Ao contrário, se o gatinho tem desde o início uma atitude amorosa, basta se acostumarem um com o outro!

Quando o bebê cresce, é ele quem se torna “um perigo” para o gato… Pode puxar a cauda ou as orelhas, apertar demais o bichinho e até mesmo deixá-lo estressado. E o gato pode reagir. Desde bem pequenininho mostre ao bebê como se deve tratar o animal: com cuidado, carinho e respeito.

DICAS FINAIS

Não mantenha os pertences do gato (potes de água e comida e principalmente caixa sanitária) em um local onde o bebê tenha acesso.

Se a higiene de uma casa com animais é sempre importante, com bebês se torna essencial. Em todos os sentidos – e isso inclui higienização dos pertences do gatinho.

Finalmente, estudos científicos mostram que animais (em especial gatos e cachorros) têm um grande potencial terapêutico para bebês e crianças, fazendo com que eles desenvolvam sentimentos de amor e responsabilidade!

 

*As fotos deste post, com exceção da primeira, são da Médica Veterinária Daniela Velzi, da Gatos&Gatos, ainda grávida, e depois com seu lindo bebê Henrique e seu gatinho Brioche. Quer melhor aval do que este, para garantir que gatos, gestantes e bebês podem conviver harmoniosa e saudavelmente?

 

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