Síndrome de Disfunção Cognitiva Felina

Assim como nós, os gatinhos também sentem o passar dos anos… E não apenas no físico. As funções mentais também se deterioram à medida que eles envelhecem. A degeneração senil em gatos, ou Síndrome de Disfunção Cognitiva Felina, pode surgir a partir dos 15 anos – em alguns casos, aos 10. Provoca desorientação e mudança de comportamento e, embora não seja reversível, pode ser retardada.

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Em humanos, a função cognitiva responde por processos mentais como memória, julgamento e reconhecimento, por exemplo. Quando a Disfunção Cognitiva se instala, há, portanto, a perda gradativa (parcial ou total) da capacidade de memorização, aprendizado, foco, raciocínio e julgamento de certo e errado.

Nos gatos o processo é semelhante.

Mas há a possibilidade de retardar o aparecimento da Disfunção Cognitiva depende diretamente do dono do gatinho: se sua saúde for mantida ao longo de toda a vida, é mais fácil adiar os sintomas caso ele desenvolva a doença na velhice, uma vez que este transtorno não afeta os gatos da mesma maneira.

O QUE É A DCF

A Disfunção Cognitiva Felina se caracteriza pelo comprometimento da capacidade de compreensão do ambiente em que o gatinho vive. Isso pode acontecer a partir dos 10 anos de idade (quando já é considerado idoso), mas é mais frequente em gatos geriátricos (a partir dos 15 anos, o que equivale, na idade humana, a 76 anos).

É associada à diminuição do número de neurônios. Portanto, além das manifestações naturais, provenientes da idade (como problemas articulares e auditivos), o gatinho com a síndrome sofre com confusão e desorientação. Ao perder o controle sobre seu corpo e mente, ele aos poucos vai ficando indiferente ao seu entorno. Isso diminui a qualidade de vida de seu querido. Por isso é tão importante o tutor compreender e estar ao lado dele para amenizar o transtorno.

SINTOMAS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

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Ele pode apresentar um ou diversos sintomas.

Desorientação: o sinal mais predominante (e fácil de ser reconhecido) é a confusão: ele anda pela casa desorientado. Esquece onde estão os pratinhos de comida e água e a caixa sanitária.

Alteração no comportamento: a confusão acarreta uma mudança em seu comportamento: ele pode ficar carente, e querer chamar a atenção. Ou pode ficar mais arisco, ansioso ou irritadiço.

Maior vocalização: ele mia com frequência, sem motivo aparente, especialmente à noite, pois sente-se ansioso e desorientado no escuro. São miados longos, agudos, “doloridos”…

Perda do apetite: um sinal de desorientação quanto a funções básicas, como comer ou beber água.

Mudanças no padrão de sono: ele passa a dormir boa parte do dia e perambular à noite (se estes não forem os hábitos dele a vida toda).

Desinteresse por si mesmo: perde o interesse pela higiene. Se a impossibilidade não for física, como artrite por exemplo, este desinteresse pode ser um sinal de alerta. O pelo fica sem brilho, sujinho e emaranhado pela falta de banho.

Esquece a caixa sanitária: e pode começar a fazer suas necessidades em qualquer lugar.

Estes são sinais de alerta. Se perceber em seu gatinho, leve-o ao vet para uma avaliação, pois alguns dos sintomas podem indicar doenças comuns da idade (doença renal crônica, hipertireoidismo ou diabetes, por exemplo). Não esqueça que quanto antes começar a tratar qualquer doença, melhor.

O diagnóstico é por exclusão, após afastada a possibilidade de doenças físicas, e baseado nos sintomas descritos. E o tratamento não tem por objetivo curar ou reverter o transtorno, pois uma vez que há o dano neurológico ele não pode ser recuperado. Visa retardar o agravamento da perda de cognição, melhorando sua qualidade de vida. Pode ser usado medicamento, mas apenas o veterinário pode avaliar, pois cada caso é um caso.

MELHORANDO A QUALIDADE DE VIDA DELE

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Pequenas atitudes em casa podem minimizar o impacto da Disfunção Cognitiva Felina na qualidade de vida de seu querido:

  • Promova um enriquecimento ambiental, com rampinhas leves, para que ele não fique sedentário. Estimule o cérebro dele com brinquedos e comedouros lúdicos (que precisam ser manipulados para o alimento sair). Esses “quebra-cabeças” servem de estímulo mental, ajudando a evitar a progressão do distúrbio.
  • Evite mudanças onde o gatinho mais fica. Trocar móveis de lugar, por exemplo.
  • Ao receber visitas, coloque-o em um ambiente separado, onde ele também costuma ficar e seja familiar. Estímulos excessivos (como conversas animadas, música mais alta e entra-e-sai de pessoas) não fazem bem a ele.
  • Se puder adiar aquela reforma em casa, melhor.
  • Não mude seus pertences (potes de comida e água, caixa sanitária, cama, brinquedos fixos, arranhadores) de lugar.
  • Se mora em casa e ele costuma ir ao jardim, fique de olho (mesmo que ele não tenha anteriormente o hábito de fugir).
  • Aumente as sessões de brincadeiras para estimulá-lo. Mas reduza a duração de cada sessão. Não esqueça que ele também tem limitações físicas relativas à idade.
  • Escove-o com mais frequência se notar que ele abandonou a higiene. Use uma escova com cerdas bem suaves.
  • Não esqueça da higiene de orelhas e olhos.
  • Se perceber que ele não consegue mais subir em locais onde costumava ficar (uma estante ou na janela, por exemplo), facilite o acesso colocando rampinhas ou caixas para auxiliar.
  • Deixe algumas luzes acesas ao dormir, para evitar desorientação noturna. Luzes de tomada, por exemplo.
  • Converse com o vet sobre uma mudança na dieta.
  • Se ele convive com gatos mais jovens, faça um “esconderijo” com uma caixa de papelão, por exemplo, para quando ele se cansar do movimento.
  • Evite adotar outros gatos, o que é estressante para gatos idosos.
  • E o mais importante: compreenda suas mudanças de comportamento, respeite suas limitações e dê muito mais carinho e amor.

Este é um distúrbio de difícil padronização, pois aparece aos poucos e em idades variadas (quando aparece). E, como dissemos, embora não possa ser revertida ou curada, pode ser adiada se for detectada assim que os sinais aparecerem.

Por isso duas coisas são muito importantes: primeiro, realizar o check-up anual de seu gatinho. A periodicidade diminui para um check-up semestral no caso de gatos idosos e geriátricos que não tenham doenças crônicas que necessitem de cuidados constantes.

E, por fim, é muito importante estar atento ao comportamento de seu gatinho quando ele entrar na “terceira idade” – e ao notar qualquer sintoma, leve-o ao vet o mais rápido possível.

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