Gatos agressivos: o que fazer

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Gatinhos são carinhosos, amorosos, tranquilos e bons companheiros. Mas há os que desenvolvem um comportamento agressivo – seja em algum momento da vida, motivado por fator externo ou pela formação de sua personalidade. Para os que lidam com este problema, este é o texto! Vamos falar sobre as diversas causas, os tipos de comportamento agressivo, o que se torna alvo deste comportamento e muitas outras dicas sobre como detectar e como minimizar a agressividade.

Muitos podem achar que agressividade é uma questão de personalidade do gato. Errado… É um problema e requer diagnóstico da causa e tratamento.

A agressividade felina é ocasionada por motivos comportamentais, emocionais e até físicos e ocorre por causas e circunstâncias diferentes. É uma forma de extravasar tensão, de se impor, de defesa, aliviar o medo, proteção da prole, defesa do território, entre muitas outras motivações.

Essa agressividade pode ser dirigida a pessoas, a outros gatos ou outros animais. Não esqueça que ele tem duas potentes armas (os dentes e as garras das quatro patas), que realmente podem machucar.

HÁ DIFERENÇA ENTRE AGRESSIVIDADE E “BRINCADEIRA MAIS BRUTA”

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Entre gatos (principalmente filhotes ou adolescentes), a brincadeira de luta é comum. Mesmo que pareça briga, eles evitam se machucar de verdade.

A mesma coisa com os humanos: morder de leve pés e pernas, dar um bote-surpresa ou mesmo arranhar de leve podem ser considerados brincadeira e não agressividade. Na maioria das vezes, isso é motivado pelo tédio, por pouca atenção ou pouco estímulo no ambiente.

A primeira coisa é descartar causa física, com uma visita ao veterinário. Há doenças que podem ser a causa de comportamento agressivo:

  • Alterações neurológicas
  • Dor ortopédica ou outro tipo de dor
  • Doenças endócrinas como hipertireoidismo
  • Distúrbio cognitivo ou sensorial (em gatos idosos)
  • Toxoplasmose
  • Epilepsia
  • Abscessos
  • Doença periodontal

Certos medicamentos também podem alterar o humor, e gatos obesos ou com sobrepeso que fazem dieta podem ficar mais irritados.

QUANDO O TEMPERAMENTO É AGRESSIVO

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Descartado o problema físico e a agressividade é constante, dirigida às pessoas e a outros animais, então o problema é emocional ou comportamental. Com raras exceções, agressividade tem sempre uma motivação bem delimitada.

A primeira coisa é tentar detectar o que está causando a agressividade. E se ela é ofensiva (de ataque) ou defensiva. Isso através de sua linguagem corporal.

Gatos se expressam por posturas corporais, expressões faciais e a posição (ou movimento) de partes do corpo como cauda, orelhas ou bigodes. Um gato agressivo ofensivo quer parecer maior e intimidar; um gato agressivo defensivo adota postura de autoproteção, até mesmo se encolhendo para parecer menor.

A linguagem corporal destes dois tipos de agressividade são:

Agressividade ofensiva

  • Olha diretamente para o “alvo” da agressão com as pupilas menores
  • Mantém as orelhas levantadas
  • Arrepia os pelos
  • Rosna, mia ou sibila
  • Assume uma postura ereta, “aumentando” seu tamanho
  • Fica com as pernas traseiras duras, retas
  • Levanta o “bumbum” e inclina as costas para baixo
  • Fica com a cauda em riste, ou para baixo, mas mantida reta. Pode fazer movimentos bruscos com a cauda
  • Pode movimentar-se lentamente em direção ao oponente

Agressividade defensiva

  • Coloca-se de lado em relação ao oponente
  • Evita encarar
  • Arqueia a cabeça para baixo
  • Inclina o corpo para a frente
  • Enrosca a cauda em torno do corpo, mas a mantém fixa
  • Mantém os olhos mais arregalados, com pupilas dilatadas (ou parcialmente dilatadas)
  • Vira as orelhas para trás da cabeça
  • Arrepia os pelos
  • Bigodes: se a agressividade é por ansiedade, os encolhe; se é por medo, os bigodes ficam mais esticados e enrijecidos (como forma de avaliar a distância entre ele e o oponente)
  • Sibila abrindo a boca, mostrando os dentes

OS “ALVOS” DA AGRESSIVIDADE E SUAS CAUSAS

Contra pessoas (inclusive o dono)

Se não houve socialização com humanos durante a infância (entre duas e nove semanas de vida). Por isso é importante não separar bebês de suas mães antes dos dois meses, pois ela traz segurança. Também nesta fase, se eles viveram em um ambiente muito agitado ou agressivo, ou se sofreram algum trauma ou abuso (como punições por parte dos humanos ou agressão por outros gatos adultos) isso pode ter refletido em sua formação de personalidade. Ciúme do dono também pode gerar agressividade: seja pela chegada de um bebê ou por sentir-se preterido em relação a outro gato. Outra causa pode ser carência, falta de atenção, sensação de solidão ou de desprezo por parte do dono.

Contra outros gatos

As causas geralmente incluem competição por território ou atenção, desejo de dominar, imprimir liderança perante os demais, desafio (principalmente entre machos adultos não castrados), introdução de um novo gato na casa, frustração, necessidade de submissão do outro, falta de convivência com os outros gatos (que trazem sensações e experiências agradáveis de sociabilização) e conflito de personalidades.

OS TIPOS DE AGRESSIVIDADE

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Pode haver uma série de motivações, inclusive mais de uma, que resulta no temperamento agressivo. Alguns sinais dão pistas para descobrir o que motivou a agressividade – que pode até ser derivada de algo vindo de você.

Fique de olho em seu gatinho, observe atentamente seu comportamento diante de diversas situações. Você pode, assim, identificar a causa e melhor compreendê-lo. A partir daí deve lidar com a causa, para que as consequências diminuam. Sempre com muita paciência, amor e carinho!

Veja se identifica em algumas das causas a seguir algo que indique a agressividade de seu filhote:

Por impaciência com carinho

Em geral, gatos gostam de carinho. Mas a tolerância varia muito! Eles permitem por um certo tempo – depois, podem morder ou arranhar de repente.

Há gatos que odeiam que se toque em determinados locais, como a barriga, as patas ou a cauda. O resultado: arranhões…

E há gatos que simplesmente não gostam de contato físico. Isso gera irritabilidade profunda.

O carinho pode tornar-se desagradável se for repetitivo em um só local, que pode causar incômodo devido à eletricidade estática do pelo.

Fique de olho se ele:

  • Contrai o corpo
  • Balança a cauda (de leve e vai aumentando o movimento)
  • Direciona as orelhas para trás ou totalmente viradas para a frente
  • Dilata as pupilas
  • Vira a cabeça rapidamente em direção à sua mão

Por frustração

Quando não recebe o que deseja ou necessita, seja comida, dar uma volta ou um carinho. Quando é repelido ou afastado – como, no caso de gatinhos carinhosos, assumimos aquela postura de “Agora chega. Vai pra sua cama”.

Sendo esta a motivação, ele normalmente não avisa quando vai atacar. É como se agredisse de maneira “impulsiva”, para se mostrar profundamente magoado. Este tipo de agressividade ocorre geralmente em gatos afáveis, que estão sempre prontos para chamar sua atenção.

Por imposição de território

Eles marcam seu território esfregando o rosto (liberando feromônios) ou urinando. Neste tipo de motivação eles querem mostrar dominância, valentia e imponência. Normalmente eles assumem uma agressividade ofensiva, e agridem rapidamente. Ou podem defender seu espaço por medo. Se for por isso, se deu certo da primeira vez com o gato “invasor”, ele passa a fazer repetidamente. Seu território é seu porto seguro e ele vai  querer defendê-lo a qualquer custo.

A defesa do território se dá principalmente:

  • Em gatos machos, adultos e não castrados
  • Com a chegada de um gato novo
  • Com a chegada de um novo membro da família
  • Com mudanças bruscas, como obra, reforma ou mudança de casa

Por medo

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Gatinhos muito medrosos podem ficar agressivos. Geralmente é uma motivação externa: medo de trovão ou chuva, de barulhos altos, de objetos domésticos (normalmente que fazem barulho). Ele se sente encurralado, impossibilitado de escapar do que motivou o medo intenso e ataca – principalmente se alguém vai tentar consolá-lo ou tentar com que ele “perca o medo”.

Outros gatinhos têm muito medo de pessoas estranhas. Isso pode ser de sua personalidade ou por não ter sido acostumado a socializar com humanos que não a família desde a infância. Podem assumir a postura de fugir e se esconder até o “perigo” ir embora ou atacar.

Fique de olho se ele:

  • Assume uma postura “encurralada” em um canto
  • Abaixa o corpo até quase tocar a barriga no chão
  • Mantém a postura fixa
  • Enrola a cauda em volta do corpo
  • Dilata as pupilas
  • Bufa ou “assopra”
  • Mantém as orelhas abaixadas, voltadas para trás

Importante: não é raro que o gatinho passe a se lamber compulsivamente após o episódio de estresse ou medo. Isso pode causar problemas de pele. Leve-o ao veterinário.

Por ansiedade

Se o gatinho não é estimulado a se movimentar (através de brincadeiras, por exemplo) e liberar energia, ele pode ficar ansioso e transformar outro gato ou você em seu “brinquedo”. E pode partir para atitudes agressivas como correr atrás, pular, dar botes e até mesmo morder ou arranhar.

Por dor

Mesmo um gatinho sempre amoroso pode reagir agressivamente neste caso. Se ele estiver sentindo dor em alguma parte do corpo e você tocar ali, ele se protegerá da dor e do desconforto atacando. Problemas ósseos como artrite (que se torna doloroso quando ele é levantado), infecção no ouvido, abscessos, dor de dente são alguns exemplos.

Importante: se você não desconfia que ele está com dor e o repreende pelo ataque, isso pode desencadear outros tipos de comportamento agressivo – como a agressividade por medo.

Por proteção

Este é a causa mais instintiva de agressividade em fêmeas: a proteção de seus filhotes. Normalmente é dirigida a outros gatos, mas também pode ser a humanos. Por isso, cuidado com crianças ou bebês próximos à ninhada recém-nascida: eles podem querer tirar os filhotes de perto da mãe e ela pode se defender arranhando ou mordendo.

COMO IDENTIFICAR A CAUSA DA AGRESSIVIDADE?

Embora apenas o veterinário possa fechar o diagnóstico, excluindo problemas físicos e através do relato da história do gatinho, algumas dicas podem ajudar a entender o que motivou a agressividade.

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Responda às perguntas e pense sobre as conclusões:

  • Se ele era dócil, consegue identificar em qual momento mudou de comportamento?
  • Houve alguma mudança significativa na rotina dele?
  • Houve alguma mudança brusca na casa (mudança, novo bebê, novo gato)?
  • Com que frequência ele vem sendo agressivo?
  • O que aconteceu imediatamente antes da agressão?
  • Onde ele estava no momento?
  • O que ele estava fazendo?
  • O que ele “quis dizer” atacando?
  • Quem ele atacou (humanos, outros gatos)?
  • E por que? O outro (humano ou gato) pode ter motivado a agressão?
  • Como é o ataque? Repentino ou ele para, assume uma postura e ataca?
  • Como os outros gatos reagem ao ataque? Revidam ou fogem?
  • Qual a postura dele após o ataque a outros gatos?
  • Qual a postura dele após o ataque a pessoas?
  • Qual sua reação quando ele te ataca? Briga, repreende?

O QUE FAZER NO MOMENTO DA AGRESSÃO

Com outros animais

Interrompa o ataque sem se aproximar. Faça barulho, jogue um brinquedo para longe de um deles para distrai-lo, borrife um pouquinho de água. Se não der certo e tiver que intervir, envolva seus braços em toalhas grossas e tente afastar um do outro. Não tente segurar nenhum deles no colo.

Com pessoas adultas

Não se comporte como uma “presa” ou “oponente’, tentando revidar. Fique imóvel e não o repreenda com voz alta para não atiça-lo ainda mais e reforçar a agressividade. Afaste-se devagar.

O QUE FAZER PARA MINIMIZAR O COMPORTAMENTO AGRESSIVO

Na casa

Faça com que ele se sinta motivado e feliz no ambiente em que vive. O cantinho dele é dele – e deve ser limpo, com clima agradável, com brinquedos e atrações como arranhadores e móbiles. Ele deve ter espaço para correr, pular e gastar energia. Prepare locais altos para que ele possa subir.

No relacionamento entre vocês

Desde a infância o acostume a carinhos. Reforce comportamentos positivos dele com recompensas como um petisco ou um abraço. Evite que ele presencie brigas na família ou reprimendas a crianças. Mantenha um ambiente tranquilo em casa – seu comportamento também determina o dele…

Entre os gatos

O espaço deve comportar os gatos confortavelmente. Cada gato gosta de ter seu território e se o ambiente for pequeno, eles podem disputar espaço e desenvolver agressividade (por defesa, estresse ou medo).

O lugar deve ter saídas para, caso haja um confronto, o que se sentir ameaçado possa fugir.

O QUE NÃO FAZER!

Parece óbvio, mas nunca puna o gato, seja com gritos e muito menos fisicamente! Se você reagir de forma agressiva estará estimulando a agressividade dele!

TRATAMENTO PARA A AGRESSIVIDADE

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Em primeiro lugar, leve-o ao veterinário para excluir qualquer causa física (doença ou dor).

  • Converse com o vet sobre o comportamento dele. Conte como foi sua infância, a relação dele com pessoas e com outros gatos, do que ele tem medo, como reage a determinadas situações.
  • Crie um ambiente agradável no cantinho dele.
  • Se ele não é amigo dos outros gatos, não force a proximidade.
  • Caso receba um novo gato em casa, faça a aproximação dos dois aos poucos. Mantenha-os separados de início, leve o novo até ele na caixa de transporte para que eles se conheçam e se cheirem sem perigo. Só quando sentir que eles podem se dar bem, deixe-os juntos, mas com supervisão.
  • Brinque com ele, de preferência fazendo com ele gaste energia.
  • Não deixe que ele agrida você, mesmo brincando. Com carinho, mostre que isso não é legal…
  • Se ele fica agressivo com muito carinho (e você não consegue resistir a dar aquele abraço), faça rapidamente, antes que ele se incomode.
  • E sempre que ele não se mostrar agressivo em situações que antes promoviam este comportamento, dê uma recompensa (como um petisco ou comida que ele ame).

Uma dica: embora qualquer veterinário possa identificar e tratar a agressividade, há profissionais especializados em comportamento animal. Em casos extremos, é aconselhável procurá-lo.

Esperamos que este texto tenha ajudado você a compreender um pouco melhor o que pode estar causando ações agressivas em seu filhote. E ajudar a melhorar a situação!

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